Património

Um legado que preserva a nossa
história.

O Património da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes é testemunho de mais de cinco séculos de história, repletindo, a cultura e o compromisso com a comunidades

PATRIMÓNIO

Prédios Rústicos e Urbanos

Ao longo da sua história, a Santa Casa da Misericórdia de Abrantes constituiu um património imobiliário que contribui para o desenvolvimento da sua missão e para a sustentabilidade da Instituição.

Este património integra diferentes tipos de imóveis, nomeadamente edifícios destinados à prestação de respostas sociais, imóveis afetos a atividades institucionais e outros bens patrimoniais.

Igreja da misericórdia

A Igreja desta Santa Casa é da primeira metade do século XVI e tem uma interessante porta lateral, no estilo de Renascença de Coimbra, com o Grupo da Senhora da Misericórdia, medalhões, golfinhos, e ao alto o pelicano, estando datada e assinada por Gaspar Dinis, no ano de 1548.

É de uma só nave, havendo a notar o púlpito de cálice de balústres do meado do século XVI, com colunas dóricas da mesma época que sustentam o coro. Da restauração de 1729 é o altar-mor de talha profusa e exuberante.

Tem dois altares laterais, com telas tenebristas, do meado do século XVII (Adoração dos Pastores e Adoração dos Magos), devidas ao pintor abrantino Manuel Henriques, no período de 1630-1660.

Galeria dos irmãos benfeitores

A Sala dos Benfeitores é a histórica Sala do Definitório da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, um dos espaços patrimoniais mais valiosos de Abrantes. 

Esta sala fazia parte da antiga Casa do Despacho da Misericórdia e era o local onde se reuniam os responsáveis da confraria para tomar decisões sobre a gestão da instituição e das suas obras de assistência. 

Entre os elementos mais relevantes destacam-se:

  • Os painéis de azulejos do século XVIII que representam as Sete Obras de Misericórdia Corporais;
  • O mobiliário histórico da época;
  • A ligação direta à Igreja da Misericórdia;
  • A integração no conjunto patrimonial classificado como Monumento de Interesse Público.

Em 2018, a Sala do Definitório foi alvo de obras de conservação e restauro, juntamente com a Igreja da Misericórdia, permitindo preservar este importante património abrantino. 

Mais recentemente, a Santa Casa anunciou a criação de um núcleo museológico, onde a Sala do Definitório assumirá um papel central. Numa intervenção pública em 2024, foi referido que a sala e a sua mesa central são consideradas peças de grande singularidade a nível nacional

Sala do definitório

A Sala do Definitório, com mobiliário setecentista, local onde se realizavam as sessões da Irmandade, preserva bons azulejos do século XVIII, avançado, em pintura azul, sobre esmalte branco, de oficina lisboeta, representando as sete obras da Misericórdia, corporais. O presente conjunto constitui o único no género existente no país.

Tábuas Quinhentistas

Grupo de tábuas quinhentistas, pintura a óleo sobre madeira, devidas ao pintor de nome Diogo de Contreiras, datando de cerca de 1550. É um conjunto de pinturas de grande correcção, desenho muito “solto” e agitado, colorido cálido e certa facilidade inventiva a nível composicional que revela a superação das fórmulas renascentistas e que se aproxima do novo estilo maneirista, dominante na Segunda metade do século XVI.

ARQUEOLÓGICO

Tesouro Arqueológico

No decurso dos trabalhos de conversão do antigo Hospital do Salvador em lar de terceira idade, foi encontrado um tesouro arqueológico. Alertado o I.P.P.C., foi constatada a sua importância. A escavação revelou um conjunto de 32 talhas de grandes dimensões, considerado único no País. As talhas fariam parte do celeiro do reino e de D. Lopo de Almeida, e pela investigação presume-se tratar-se de um antigo celeiro existente à data de 1482 que pertencia a D. João II, destinado ao armazenamento de cereais, azeite e vinho. Uma parte destas talhas vai constituir um mini-museu permanente junto à sala de refeições dos utentes.

 A área arqueológica estende-se por duas salas contíguas do antigo hospital, com uma área aproximada de 80 m2. Numa área mais afastada, em valas feitas para implantação de pilares, verificou-se a existência de uma grande área de ossadas, sem qualquer disposição, e um nível de seixos rolados, como que uma calçada. Este “ossário” parece comprovar que as ossadas não se encontravam na sua posição original, mas para ali transladadas a esmo, provenientes talvez do antigo adro da igreja.

As talhas postas a descoberto encontram-se na sua maioria em boas condições, embora algumas tenham tido o bordo retirado para nivelamento do chão. Um corredor ao nível da base dividia o conjunto em dois grupos, permitindo o fácil acesso a cada talha. Na impossibilidade de manter toda a área a descoberto, foi decidido manter à vista um pequeno núcleo de talhas na sala 2, observável através de um arco fechado com vidro. As restantes, que se dispersam pela sala 1 que irá servir de “sala de refeições”, serão sinalizadas na sua posição para que a disposição das talhas se mantenha perceptível