A Igreja desta Santa Casa é da primeira metade do século XVI e tem uma interessante porta lateral, no estilo de Renascença de Coimbra, com o Grupo da Senhora da Misericórdia, medalhões, golfinhos, e ao alto o pelicano, estando datada e assinada por Gaspar Dinis, no ano de 1548. É de uma só nave, havendo a notar o púlpito de cálice de balústres do meado do século XVI, com colunas dóricas da mesma época que sustentam o coro. Da restauração de 1729 é o altar-mor de talha profusa e exuberante. Tem dois altares laterais, com telas tenebristas, do meado do século XVII (Adoração dos Pastores e Adoração dos Magos), devidas ao pintor abrantino Manuel Henriques, no período de 1630-1660.
A Sala dos Benfeitores é a histórica Sala do Definitório da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, um dos espaços patrimoniais mais valiosos de Abrantes.
Esta sala fazia parte da antiga Casa do Despacho da Misericórdia e era o local onde se reuniam os responsáveis da confraria para tomar decisões sobre a gestão da instituição e das suas obras de assistência.
Entre os elementos mais relevantes destacam-se:
Em 2018, a Sala do Definitório foi alvo de obras de conservação e restauro, juntamente com a Igreja da Misericórdia, permitindo preservar este importante património abrantino.
Mais recentemente, a Santa Casa anunciou a criação de um núcleo museológico, onde a Sala do Definitório assumirá um papel central. Numa intervenção pública em 2024, foi referido que a sala e a sua mesa central são consideradas peças de grande singularidade a nível nacional
A Sala do Definitório, com mobiliário setecentista, local onde se realizavam as sessões da Irmandade, preserva bons azulejos do século XVIII, avançado, em pintura azul, sobre esmalte branco, de oficina lisboeta, representando as sete obras da Misericórdia, corporais. O presente conjunto constitui o único no género existente no país.
Grupo de tábuas quinhentistas, pintura a óleo sobre madeira, devidas ao pintor de nome Diogo de Contreiras, datando de cerca de 1550. É um conjunto de pinturas de grande correcção, desenho muito “solto” e agitado, colorido cálido e certa facilidade inventiva a nível composicional que revela a superação das fórmulas renascentistas e que se aproxima do novo estilo maneirista, dominante na Segunda metade do século XVI.